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Pedro Guadalupe

DÁ PRA ACREDITAR? - Resposta ao Sr. Jose Aparecido RIbeiro

DÁ PRA ACREDITAR?

O Sr. José Aparecido Ribeiro espalhou, através da Internet, o boato de que, no último sábado (veja aqui), o Prefeito Márcio Lacerda se encontrava na Rua Musas, “sozinho”, “coçando a cabeça”, pedindo à “Providência divina que o inspirasse” diante dos problemas que lhe vem criando “uma das casas” ou uma “família”, a qual se opõe à venda da rua para um empreiteiro erguer um hotel. Uma cena inverossímil, por várias razões.

Em primeiro lugar, um prefeito não visitaria uma rua e um bairro de sua cidade praticamente na moita (aliás, quem o viu além do Sr. José Aparecido?), pois só sairia de seu gabinete com o objetivo de encontrar com a população (e, dos moradores da Rua Musas, ninguém o viu). Aliás, vir à nossa rua e ao nosso bairro e não falar com sequer um cidadão seria, além de falta de senso político, pura falta de educação. Assim, até prova em contrário, não dá para acreditar no Sr. José Aparecido.

Em segundo lugar, é quase cômico imaginar o Prefeito “coçando a cabeça” por essas bandas. Decerto, ele deve estar coçando a cabeça é preocupado com os problemas causados pela chuva na cidade – e até se poderia perguntar se o Sr. José Aparecido não se confundiu, tendo-o visto não na Rua Musas, mas na Rua Laura Soares Carneiro, no Buritis, onde um prédio inteiro desabou e outros estão condenados, isso sim motivo de preocupação para a Administração Municipal. E por que a cabeça do Prefeito coça? Certamente ao pensar que abacaxi lhe deixaram seus antecessores que autorizaram construções em locais inadequados. Porque ele sabe, como todos sabemos (até o Sr. José Aparecido!), que a culpa dos estragos provocados pela chuva não se pode imputar a São Pedro, mas à falta de respeito pelas leis municipais que regulam a ocupação e uso do solo.

Terceiro ponto: decerto o Sr. José Aparecido, que agora assume a função de testa-de-ferro dos empreiteiros, não esteve na Audiência Pública convocada pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, em agosto do ano passado, quando, a não ser uma vereadora, não houve nenhuma outra voz que se levantasse em defesa da construção do tal hotel, dentre os quase cem cidadãos e autoridades presentes, da rua, do bairro, da cidade e da região metropolitana. Isso por várias razões: o terreno de propriedade dos interessados não comporta a construção do hotel (se comportasse, não estariam querendo comprar a rua!), o trânsito na região, confluência da BR 356 com Av. Raja Gabaglia, já é caótico, os danos ao meio ambiente seriam irreparáveis etc. Então, certamente é por ignorância que o Sr. José Aparecido pretende desenhar as coisas como o interesse de “uma casa” versus o da cidade – e por isso mereceria quiçá ser perdoado. Mas o que não se pode perdoar é que não tenha tido a coragem de comparecer à Audiência Pública, a fim de defender sua posição, em vez de ficar agora fazendo fofoca na Internet.

Finalmente, Sr. José Aparecido, o Prefeito Márcio Lacerda não necessita de ajuda divina! Ele certamente sabe que o deus do gestor público é a lei. Não se pode construir o hotel onde os empreiteiros querem porque, como já se manifestou o Ministério Público, “existem várias restrições para a ocupação da área, estabelecidas na legislação municipal, como a necessidade de manter a baixa densidade de ocupação e de não ser ultrapassada a altimetria máxima de 9 metros” (e querem fazer um prédio de 30 andares!). É que o local, Sr. José Aparecido, integra o corredor ecológico formado pela Mata das Borboletas, Mata do Jambreiro e Estação Ecológica do Cercadinho. É porque o projeto contraria as leis urbanísticas que não foi uma “família”, mas o Instituto de Arquitetos do Brasil que embargou a licitação para a venda da rua, por ter como um de seus objetivos zelar pela qualidade de vida nas nossas cidades. É também por isso que o Movimento Salve a Rua Musas ganhou a opinião pública de Belo Horizonte.

Então, Sr. José Aparecido, imaginar o Prefeito pedindo a ajuda de Deus sobre tal assunto é um desrespeito para com um e o outro. As alternativas são claríssimas: ou se fica “com a lei” ou “fora da lei”. Deus jamais ficará fora da lei. Caso o Prefeito escolha ser fora da lei, se não for enquadrado pelos órgãos competentes e perder a confiança e os votos dos eleitores, certamente não escapará das chuvas e outras tragédias que põem a nu a irresponsabilidade com que alguns entregam a cidade à especulação imobiliária.

Da nossa parte, continuamos a defender que se faça a coisa certa. Por amor da rua, do bairro e da cidade em que vivemos.

Movimento Salve a Rua Musas

www.salveamusas.com.br

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Tags: aparecido, jose, musas, ribeiro, rua

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